Quando as primeiras noites quentes convidam a ficar lá fora, chega também o intruso silencioso: os mosquitos.
Uma planta perfumada faz, discretamente, a resistência.
Muitas pessoas querem deixar as janelas abertas, aproveitar a varanda, sentar-se no jardim - sem serem constantemente picadas nem ter de pulverizar sprays químicos. Uma discreta planta em vaso está a tornar-se a estrela escondida da primavera, porque consegue duas coisas ao mesmo tempo: perfumar agradavelmente os espaços e tornar os mosquitos bastante mais incómodos (para eles).
Porque é que os mosquitos hoje incomodam mais do que antigamente
Os mosquitos são muitas vezes vistos apenas como um incómodo de verão, mas o problema vai mais longe. Com invernos mais amenos e os fluxos globais de mercadorias, espalham-se espécies que antes existiam sobretudo em regiões tropicais. Entre elas está, por exemplo, o mosquito-tigre (Aedes albopictus), que já se está a tornar comum em vários países europeus.
Estas espécies podem, em certas condições, transmitir agentes patogénicos, como:
- Vírus da dengue
- Vírus chikungunya
- Vírus do Nilo Ocidental
Assim, a proteção contra picadas passa a fazer mais parte do nosso dia a dia. Para além de redes, sprays e dispositivos eletrónicos, muitos lares apostam cada vez mais em “ajudantes verdes” em vaso e canteiro.
A protagonista: capim-limão (citronela) em vaso
O capim-limão de citronela junta aroma para o ambiente, decoração e proteção natural contra mosquitos - e é precisamente por isso que, na primavera, está tão procurado nos centros de jardinagem.
A planta que, nesta altura, é especialmente procurada é o capim-limão do tipo citronela, geralmente vendido como “citronela” ou “capim-limão em vaso”. Botanicamente, as variedades mais usadas contra mosquitos pertencem ao género Cymbopogon. Forma folhas longas, semelhantes a relva, com um aroma cítrico marcante e fresco.
Como é que o aroma desorienta os mosquitos
O efeito contra mosquitos não tem nada de mágico: depende da composição química dos óleos essenciais. Nas folhas encontram-se sobretudo:
- Citronelal
- Geraniol
- Limoneno
Estas substâncias aromáticas sobrepõem-se aos cheiros pelos quais os mosquitos se orientam - sobretudo os odores corporais e o dióxido de carbono. Muitos insetos têm mais dificuldade em localizar a “fonte” da refeição de sangue ou evitam a zona com cheiro intenso.
O objetivo não é eliminar todos os mosquitos, mas tornar a própria esplanada/terraço uma “zona desagradável” para os mosquitos.
Quando uma folha é ligeiramente danificada - por exemplo, ao esfregar ou ao partir - liberta mais óleo e o aroma intensifica-se de forma clara. Assim, é possível reforçar o efeito pontualmente, por exemplo, pouco antes de se sentar na varanda.
Local, cuidados, temperatura - como a citronela se sente bem
A citronela adora sol. Um local luminoso na varanda, no terraço ou no pátio é o ideal. A planta precisa de pelo menos cinco a seis horas de luz direta por dia para crescer com vigor e produzir muito óleo aromático.
A temperatura é igualmente decisiva. Abaixo de cerca de 10 °C, a planta sofre bastante; com períodos de frio prolongados, pode morrer. Em regiões com invernos com geada, compensa uma abordagem móvel:
- colocar no exterior, em vaso, na primavera
- trazer para dentro no fim do outono ou colocá-la numa divisão fresca e luminosa
O substrato deve ser bem drenado, relativamente solto e rico em húmus. A citronela tolera muito pior o encharcamento do que períodos curtos de seca. Jardineiros recomendam deixar a camada superior da terra secar ligeiramente antes de voltar a regar.
Dicas práticas para varanda e peitoril
Quem quer usar a planta sobretudo como proteção natural contra mosquitos deve colocá-la estrategicamente onde as pessoas se sentam ou onde os mosquitos entram com facilidade:
- em grupos junto à porta do terraço
- diretamente no gradeamento da varanda
- no peitoril exterior, sobretudo em quartos e salas
Um grupo maior de vários vasos é mais eficaz do que uma única planta num canto. As áreas de aroma sobrepõem-se e formam uma espécie de “barreira olfativa” à volta do local onde se está sentado.
Multiplicação: mais plantas a partir de um vaso
A citronela forma os chamados rizomas - caules subterrâneos de onde brotam novos rebentos. Esta estrutura torna a multiplicação relativamente simples.
Um vaso bem desenvolvido pode, na maioria dos casos, ser dividido em duas ou três partes - sem ferramentas especiais, apenas com uma faca afiada e alguma paciência.
Como dividir:
- Retirar cuidadosamente a planta do vaso.
- Separar o torrão em duas ou mais partes, cada uma com folhas e rizoma.
- Remover folhas antigas e muito secas.
- Plantar cada parte no seu próprio vaso com terra fresca e solta.
- Regar bem e proteger do sol forte do meio-dia nos primeiros dias.
Desta forma, a partir de uma planta comprada, é possível - após uma ou duas épocas - criar uma pequena “muralha de aroma” à volta de casa, sem ter de voltar a investir todos os anos.
Outros aliados perfumados contra mosquitos
A citronela está em destaque, mas integra um conjunto de plantas de que os mosquitos tendem a gostar menos. Muitas destas espécies combinam utilidade com valor decorativo.
| Planta | Particularidade | Utilização |
|---|---|---|
| Gerânio-perfumado (Pelargonium citrosum) | Aroma a limão, folhas recortadas, flores pequenas | Floreiras de varanda, vasos de terraço; decorativo e aromático |
| Lúcia-lima / erva-luísa (Aloysia citriodora) | Aroma intenso a limão, folhas delicadas | Chás, ramos aromáticos, planta em vaso para locais soalheiros |
| Lavanda (Lavandula angustifolia) | Aroma conhecido, flores atraentes para abelhas | Bordaduras, jardins de pedra, saquetas perfumadas |
| Manjericão (Ocimum basilicum) | Variedades de limão ou canela especialmente aromáticas | Cozinha, decoração de mesa, peitoril |
| Hortelã (Mentha spp.) | Aroma mentolado intenso, cresce e alastra muito | Bebidas, canteiro de aromáticas em vaso, aroma na entrada |
Muitas destas plantas libertam mais aroma quando são ligeiramente tocadas ou quando o vento passa pelas folhas. Numa varanda com movimento, isso melhora o efeito automaticamente.
Ilhas de aroma em vez de “tapete” de aroma
Um cenário realista: uma família senta-se ao fim do dia no terraço, rodeada por dois vasos de citronela, um grande vaso de lavanda e uma caixa com variedades de manjericão e hortelã. Alguns mosquitos não vão desaparecer, mas a frequência de picadas diminui de forma percetível, porque a zona se torna desagradável para os insetos e eles afastam-se mais depressa.
Quem quiser reforçar o efeito pode, pouco antes de se sentar, esfregar ligeiramente algumas folhas - de citronela, lúcia-lima ou gerânio-perfumado - e enriquecer o aroma de forma consciente.
Onde as plantas chegam ao limite
Apesar de todas as vantagens, citronela e companhia não substituem uma gestão abrangente dos mosquitos. As águas paradas continuam a ser o principal local de reprodução. Barris de chuva sem tampa, pratos de vasos constantemente com água, regadores antigos - tudo isso, no verão, produz muitas vezes mais mosquitos do que qualquer planta consegue afastar.
Estratégia inteligente:
- reduzir locais de reprodução (deitar fora a água, tapar recipientes)
- colocar plantas aromáticas nas zonas de estar e junto a janelas
- com elevada densidade de mosquitos, complementar com redes ou barreiras físicas
Quem reage com muita sensibilidade às picadas ou vive numa zona com surtos de vírus conhecidos deve encarar as plantas como uma medida adicional de conforto, não como proteção única.
Tendência de primavera com “efeitos secundários” - no bom sentido
Porque é que a citronela é tão difícil de encontrar precisamente na primavera? Por um lado, muitas pessoas planeiam a época de varanda; por outro, cresce o interesse por soluções mais naturais. A planta responde a ambos: fica decorativa no vaso, perfuma agradavelmente e dá a sensação de um pequeno controlo sobre um incómodo quotidiano.
Quem compra citronela não leva apenas uma planta: leva uma ferramenta aromática - e um pequeno pedaço de controlo sobre as suas noites de verão.
Em combinação com lavanda e hortelã, cria-se ainda um quadro aromático atrativo: durante o dia, uma sensação mediterrânica de verão; à noite, uma menor carga de mosquitos. Do ponto de vista psicológico, até o ritual - arrumar os vasos, tocar nas folhas, sentir o aroma - ajuda a sensação de estar a agir ativamente contra a praga.
Ideias concretas de plantação para leitoras e leitores
Quem quiser começar já pode optar por uma configuração simples:
- dois vasos de citronela, um de cada lado da porta do terraço
- uma floreira comprida com lavanda e gerânio-perfumado no gradeamento
- pequenos vasos com manjericão-limão e hortelã em cima da mesa
Num apartamento na cidade sem varanda, um parapeito de janela soalheiro é uma boa opção. Aqui, citronela, lúcia-lima e manjericão ficam lado a lado. Ao abrir a janela ao fim do dia, o aroma flui para o exterior e cria pelo menos uma barreira ligeira na rota de entrada mais frequente.
Assim, de uma simples planta em vaso nasce um elemento para noites mais tranquilas, serões mais agradáveis ao ar livre e uma casa que não cheira a spray, mas a fresco aroma cítrico.
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