Saltar para o conteúdo

Este tema de conversa destrói imediatamente toda a credibilidade.

Pessoas analisam um documento em espiral sobre uma mesa com café e smartphone, junto a uma ampulheta.

Ein serão está a correr bem, toda a gente se ri - até que uma pessoa toma conta da conversa e, sem que se dê por isso, o ambiente na sala muda.

Momentos destes são familiares a quase toda a gente: alguém fala e fala, mas há qualquer coisa que incomoda. Não é o volume, nem o conteúdo, mas a forma. Psicólogas e psicólogos alertam: certos temas de conversa fazem as pessoas parecer, instantaneamente, desinteressantes, pouco sensíveis - e surpreendentemente pouco inteligentes.

Quando falar se torna uma armadilha

Competência social pode soar a um “fator macio”, mas decide se os outros confiam em nós, nos respeitam ou nos evitam. A Organização Mundial da Saúde descreve as competências sociais como a capacidade de estabelecer contacto com outras pessoas, resolver conflitos, agir em conjunto e manter relações.

Quando estas competências faltam, as amizades começam a desfazer-se, os mal-entendidos multiplicam-se e, no trabalho, a pessoa fica de lado. Um desencadeador subestimado disso: problemas emocionais por resolver. Quem não encontra forma de lidar com os próprios sentimentos usa muitas vezes a conversa como válvula de escape.

Quem não consegue regular as emoções tende a transformar conversas em sessões de terapia intermináveis - sem perceber o quanto isso esgota os outros.

É precisamente aqui que entra o tema que, segundo psicólogas e psicólogos, funciona como um sinal de alerta vermelho.

O tema de conversa que faz perder credibilidade de imediato

Não se trata de política, religião ou dinheiro. O tema que mais aponta para um défice social é muito mais banal - e muito mais frequente: a própria pessoa.

Especialistas em Psicologia Positiva observam: quem fala quase exclusivamente sobre si próprio envia uma mensagem clara, na maioria das vezes de forma inconsciente. A mensagem é: “Eu sou mais importante do que tu.”

Claro que é normal falar de si. Torna-se problemático quando a conversa passa a fluir apenas num sentido.

Uma conversa em que uma pessoa fala constantemente sobre si parece um monólogo - e revela falta de inteligência social e, muitas vezes, uma dose de egocentrismo.

Como se percebe

  • Cada anedota dos outros é superada por uma história “melhor” do próprio.
  • Fazem-se poucas perguntas e quase nunca se fazem perguntas de seguimento.
  • “Eu”, “a mim” e “o meu” dominam frase sim, frase não.
  • No fim, a conversa acaba sempre por voltar aos mesmos temas pessoais.

Conversas assim soam cansativas e superficiais. A impressão de competência, maturidade ou profissionalismo perde-se em segundos - por mais impressionantes que sejam o currículo ou o conhecimento técnico.

Da auto-centragem ao narcisismo subestimado

Os psicólogos veem neste padrão muitas vezes mais do que simples distração. Falar constantemente sobre si pode ser um indício de tendências narcisistas. Não necessariamente em sentido clínico, mas como estilo: a própria perspetiva torna-se a medida de todas as coisas, e a dos outros passa para segundo plano.

A condução narcisista da conversa costuma manifestar-se assim:

Comportamento Efeito nos outros
Realçar constantemente os próprios sucessos Os outros sentem-se diminuídos ou ignorados
Desvalorizar as experiências alheias A confiança diminui, as pessoas afastam-se
Zero interesse pelo estado emocional do interlocutor As conversas ficam superficiais, as relações desmoronam

Quem fala assim não parece apenas antipático. Estudos sobre inteligência emocional mostram: a autoencenação unilateral anda frequentemente a par de uma fraca perceção social. A conversa vira palco, não ponte.

Os riscos de uma fraca competência social

As consequências vão muito além de momentos embaraçosos de conversa de circunstância. O estudo longitudinal de Harvard sobre satisfação com a vida mostra: pessoas com relações estáveis e de confiança são, de forma mensurável, mais felizes e mais saudáveis. Quem desgasta relações com comunicação pouco hábil paga por isso emocionalmente e, por vezes, também na carreira.

Pessoas com elevada inteligência emocional fazem perguntas, ouvem com atenção e tentam compreender os sentimentos do outro - quem só fala de si costuma ignorar completamente essa dimensão.

A falta de competência social não se manifesta apenas no monólogo permanente sobre a própria pessoa. Sinais de alerta típicos são:

  • queixar-se constantemente, sem interesse em soluções,
  • um tom consistentemente negativo,
  • mudanças súbitas de assunto assim que os outros começam a falar de si,
  • nenhuma disposição para admitir erros ou mal-entendidos.

A longo prazo, isto custa proximidade, confiança e credibilidade. As pessoas ouvem, acenam - e, no próximo encontro, preferem manter distância.

Como sair do modo “eu”

A boa notícia: competência social não é uma característica fixa; pode ser treinada. Muitos institutos de psicologia recomendam começar com passos pequenos e muito concretos.

Três regras simples de conversa para o dia a dia

  • Regra 70/30: em conversas privadas, deixar pelo menos 30% do tempo ao outro. Em caso de dúvida: mais.
  • Duas perguntas depois de cada história própria: após uma anedota pessoal, fazer ativamente duas perguntas de seguimento (“E contigo, como foi?”).
  • Aguentar o silêncio: não preencher imediatamente as pausas com temas próprios; ver o que o outro ainda quer dizer.

Quem pratica isto de forma consistente envia uma mensagem clara: “Interesso-me mesmo por ti.” O efeito surpreende muita gente - as conversas tornam-se mais profundas, a abertura espontânea aumenta e as tensões diminuem.

O que significa, na prática, “escuta ativa”

O termo é muito usado, mas fica abstrato. No essencial, a escuta ativa inclui quatro comportamentos simples:

  • manter o olhar no interlocutor, e não no telemóvel,
  • perguntar quando algo não fica claro, em vez de julgar de imediato,
  • refletir emoções (“Isso soa bastante frustrante”),
  • não reagir logo com conselhos, a menos que sejam explicitamente pedidos.

Assim nasce outro tipo de conversa: menos troca de argumentos, mais reflexão em conjunto. Quem comunica assim parece mais maduro - independentemente da idade ou da profissão.

Quando nos reconhecemos no “falador do eu”

Muitos só percebem tarde que dominam as conversas. Um cenário realista: depois de uma noite, pensamos que o encontro correu bem, mas o outro quase não volta a contactar. Ao rever, percebe-se então: projetos próprios, problemas próprios, planos próprios - e pouco espaço para o outro.

Um exercício simples pode afinar a perspetiva: depois de cada conversa mais longa, responder por escrito a três perguntas:

  • O que aprendi de novo sobre a outra pessoa?
  • Quando é que perguntei ativamente pelos sentimentos ou pensamentos dela?
  • Quantas vezes trouxe o tema de volta para mim?

Se a primeira resposta ficar regularmente vazia ou muito pobre, vale a pena procurar treino de conversação - com um coach, uma terapeuta ou num curso de competências de comunicação.

Porque a credibilidade começa no ouvido, não na boca

É credível quem não só informa, mas também sabe ouvir. Nas empresas, as lideranças estão cada vez mais atentas: competência técnica por si só não chega; as equipas seguem pessoas que se interessam por outras perspetivas. Quem, em reuniões, fala sem parar dos próprios êxitos arrisca perder pontos de respeito.

Na vida privada, o mecanismo é semelhante. Quem dá espaço aos outros parece mais fiável e acessível. Fica a sensação: esta pessoa aguenta-se também no conflito, não apenas sob os holofotes. E, paradoxalmente, a conversa em que se fala menos de si pode fortalecer a própria posição.

O ponto crítico é, portanto, surpreendentemente simples: quem constrói conversas sistematicamente à volta de si perde, silenciosamente, credibilidade social. Quem aprende a travar esse reflexo recupera exatamente o que muitos desejam - proximidade verdadeira, confiança e a sensação de, no momento certo, ser realmente ouvido.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário