Quando lá fora o vento abana as janelas, muitos sonham com um edredão perfeitamente quente - mas os escandinavos resolvem isto de forma diferente do que imaginamos.
No Norte da Europa, onde os meses de inverno são realmente longos e escuros, enraizou-se um hábito de sono que entretanto circula como uma pequena dica secreta nas redes sociais. Em vez de se queixarem dos custos do aquecimento, do ar seco e das guerras noturnas pelo edredão, muitos escandinavos apostam num princípio simples na cama de casal, que melhora ao mesmo tempo o calor, o descanso e o clima da relação.
A surpresa escandinava na cama
Quem pensa em decoração escandinava lembra-se quase de imediato de madeira, velas, tapetes de pele e da palavra “hygge”. Já no que toca à cama, imagina-se muitas vezes, de forma clássica, uma cama de casal grande com um edredão enorme. Só que, em muitos quartos escandinavos, isso não corresponde à realidade.
A ideia-chave: uma cama de casal, mas dois edredões individuais - cada pessoa dorme na sua própria “zona de calor”.
Em vez de partilharem um edredão grande, ficam lado a lado dois edredões individuais. Nas redes sociais, por exemplo na conta francófona @coupsdecoeur.deco, este método está a ser muito discutido - e muitas pessoas que o experimentam relatam melhorias visíveis no sono.
Porque é que um edredão grande tantas vezes causa stress
Quem dorme a dois conhece os clássicos: tem frio ao adormecer, acorda por volta das três da manhã meio destapado, ou entra numa espécie de luta livre de edredão com o(a) parceiro(a).
Problemas típicos ao partilhar um edredão:
- O início na cama é frio, até o edredão aquecer lentamente.
- Uma pessoa puxa o edredão durante o sono sem dar por isso - e a outra fica, de repente, meio destapada.
- Sensibilidades diferentes à temperatura: uma pessoa transpira, a outra tem frio.
- Aquece-se mais a casa, o ar fica seco e a boca acorda pegajosa de manhã.
- Ajuda extra como botijas de água quente aquece pouco tempo e ainda tem de ser partilhada.
Muitas pessoas recorrem à “solução” do aquecimento mais alto ou de uma manta extra aos pés da cama. Isso alivia, mas não resolve - sobretudo as constantes mudanças de temperatura ao longo da noite.
Como funciona o método escandinavo em detalhe
A implementação parece quase banal - e é precisamente aí que está o encanto. Numa cama de casal, por exemplo com 1,80 m de largura, usam-se dois edredões individuais mais estreitos, normalmente com 135 ou 140 cm de largura. Cada pessoa tem o seu próprio edredão, a sua própria zona de calor, a sua própria liberdade de movimentos.
A cama continua a ser um espaço partilhado, mas o edredão torna-se assunto privado - e é exatamente isso que acalma o sono.
Uma vantagem: além de dormirem separados no que toca ao edredão, ambos podem escolher que tipo de edredão querem usar. A especialista em decoração Amêl, que apresenta o método online, sublinha o quanto isso mudou o seu sono: cada pessoa escolhe um modelo que se adequa à sua “sensibilidade térmica”.
Calor individual em vez de solução única
Enquanto por cá muitas vezes ambos usam o mesmo edredão, muitos escandinavos pensam de forma consistente em necessidades individuais. Se alguém tem frio facilmente, usa-se um edredão mais espesso e adequado ao inverno. A pessoa que aquece depressa escolhe um edredão mais leve, “de verão”, mesmo no inverno.
Combinações típicas ao estilo escandinavo:
| Pessoa | Sensação | Edredão adequado |
|---|---|---|
| A | tem frio facilmente | edredão de penas mais espesso ou edredão de inverno com maior nível de aquecimento |
| B | transpira facilmente | edredão leve para todo o ano ou edredão respirável de fibras naturais |
| A ou B | alérgico(a) | enchimento sintético, lavável a 60 °C |
Assim, ninguém precisa de mexer às escondidas no termóstato do quarto ou abrir a janela enquanto o outro acorda a tremer.
Menos guerra de edredões, menos microdespertares
Um aspeto que os especialistas em medicina do sono sublinham repetidamente são as chamadas micro-reações de despertar. São fases muito curtas em que se acorda, muitas vezes sem memória consciente, mas que perturbam o sono profundo. Qualquer movimento do(a) parceiro(a) pode desencadear essas reações - e isso inclui puxar o edredão.
Com dois edredões, desaparece um fator clássico de perturbação: a luta noturna por tecido nos pés.
Quem tem o seu próprio edredão é influenciado muito menos pelos movimentos da outra pessoa. Até pequenas viragens, enrolar-se no edredão ou destapar uma perna tendem a ficar no “seu” lado. Muitas pessoas referem que acordam menos vezes com frio ou que deixam de procurar, a meio da noite, o edredão “perdido”.
Melhor sono = melhor humor de manhã
Mesmo que o método pareça simples, o efeito no dia a dia pode ser enorme. Quem não é constantemente arrancado do sono durante a noite atinge com mais frequência fases mais longas de sono profundo. Nota-se de manhã na concentração, na estabilidade do humor e na energia.
Curiosamente, alguns hotéis na Escandinávia - e entretanto também, pontualmente, na Europa Central - oferecem camas de casal com dois edredões individuais. Para quem não está habituado pode parecer estranho ao início, mas os casais costumam elogiar: dorme-se junto, sem se incomodarem mutuamente.
Como preparar a cama “à escandinava”
Quem quiser testar o sistema não tem de transformar o quarto. Um fim de semana costuma chegar para ganhar a primeira sensação. Os passos são simples:
- Pôr de lado um edredão grande e comprar dois edredões individuais no tamanho adequado.
- Usar o lençol como de costume - apenas os edredões ficam separados.
- Cada pessoa escolhe o seu edredão (enchimento, espessura, material).
- Opcional: escolher duas capas de edredão separadas, que combinem visualmente.
- Testar durante uma a duas semanas antes de tirar conclusões.
No início, muitos notam sobretudo a nova liberdade: dá para virar, enrolar, esticar uma perna, sem arrastar o outro para o movimento. Quem procura proximidade física aproxima-se - e as margens dos edredões geralmente até se sobrepõem.
Perguntas e receios típicos - e o que acontece na realidade
“Isto não se sente pouco romântico?”
É exatamente essa a preocupação que os consultores de sono ouvem frequentemente. Dois edredões parecem, à primeira vista, menos aconchegantes do que um grande edredão partilhado. Na prática, porém, muitos casais relatam o contrário: como ninguém tem frio nem está irritado, aumenta a vontade de se aproximarem por iniciativa própria. A proximidade não nasce de um edredão partilhado, mas de rituais em comum - uma conversa na cama, uma série vista juntos, um café de manhã.
“Não fica uma abertura no meio?”
Depende muito do tecido e da cama. Em muitos lares escandinavos, os edredões ficam ligeiramente sobrepostos ou tocam-se ao centro, de forma a não criar uma fenda fria. Quem quiser garantir, pode escolher edredões individuais um pouco mais largos ou prender ligeiramente as bordas por baixo do colchão.
O que está por trás do método: temperatura, psicologia, relações
A técnica parece simples, mas toca em várias dimensões do sono:
- Termorregulação: o corpo dorme melhor quando consegue arrefecer ligeiramente sem arrefecer em excesso. Dois edredões permitem ajustes mais finos.
- Sensação de autonomia: cada um define a sua própria zona de conforto. Isto reduz conflitos latentes (“Tiraste-me o edredão!”).
- Dinâmica da relação: quem descansa melhor reage com mais calma, discute menos por detalhes e, no geral, tem mais capacidade de lidar com o stress.
Também é interessante olhar para os hábitos: na Alemanha, o edredão grande partilhado é quase um símbolo romântico. Na Escandinávia, o foco está no conforto térmico prático - e a proximidade acontece ao lado disso, não por causa do formato do edredão.
Riscos, limites e para quem vale a pena a mudança
Naturalmente, o modelo não se adequa a todas as situações. Quem, por exemplo, dorme com crianças muito pequenas na cama de família deve ponderar bem como distribuir os edredões. Edredões soltos e pesados não devem cobrir bebés ou crianças pequenas - aqui é importante seguir recomendações pediátricas.
Para quem já dorme sozinho, o efeito é mais limitado. Essas pessoas beneficiam mais de um colchão adequado, boa ventilação e um edredão que não seja nem demasiado leve nem demasiado pesado. Ainda assim, quem se mexe muito durante a noite e acorda repetidamente com frio pode, mesmo sendo solteiro, experimentar um edredão mais estreito e compacto.
Onde se torna realmente interessante é em casais com necessidades térmicas muito diferentes ou sono agitado. Aqui, dois edredões podem funcionar como uma espécie de “tratado de paz na cama”. Combinado com um quarto ligeiramente mais fresco (entre 16 e 18 °C é um bom valor de referência), cria-se um clima de sono agradável sem luta constante pelo termóstato.
Quem quiser começar pode encarar de forma leve: um “fim de semana de sono escandinavo” com chá quente, luz mais baixa, dois edredões novos - e uma mente aberta. O método custa relativamente pouco, não exige obras e pode ser revertido a qualquer momento. É precisamente por isso que cada vez mais pessoas o adotam quando o inverno dura mais do que a paciência para pés frios e guerras noturnas de edredões.
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