Der colega que, nas reuniões, quer sempre “só acrescentar uma coisinha” e depois fala dez minutos seguidos. A amiga que te pergunta como foi o teu dia, mas à tua terceira resposta já voltou aos problemas dela. E, ainda assim, nunca te interrompe - acena com a cabeça, sorri, parece atenta. A dada altura vais para casa e percebes: mal conseguiste terminar um pensamento inteiro.
Conhecemos todos esse momento em que, mais tarde, nos perguntamos: como é que uma única pessoa conseguiu puxar esta conversa toda para si - sem levantar a voz, sem dominância aberta, quase com educação?
Os psicólogos dizem: é precisamente aí que está a verdadeira técnica.
Egocentrismo sem interromper: como “roubar” uma conversa em silêncio
Quando pensamos em pessoas egocêntricas, imaginamos geralmente alguém que está sempre a interromper. A pessoa irritante à mesa que faz um monólogo atrás do outro. Na realidade, muitas vezes é bem mais discreto. Os novos “centros do eu” não falam necessariamente mais alto do que os outros. Limitam-se a desviar a direção, quase sem dar por isso.
Deixam-te falar, olham para ti, acenam nas alturas certas. E, apesar disso, a conversa volta sempre para eles - quase como se fosse automático.
Os psicólogos falam aqui de uma combinação de condução da conversa e auto-centragem subtil. O foco não está na interrupção, mas na forma habilidosa de apanhar as transições: precisamente no momento em que fazes uma pequena pausa, recuperam o volante.
Parecem atentos - e, a um certo nível, até estão. Só que o foco deles está sobretudo em regressar à própria perspetiva. E é isso que, depois, se sente tão estranho.
Um padrão típico: estás a falar do teu dia stressante, estás a chegar ao ponto. Mal fazes uma pequena pausa, vem uma frase do género: “Isso faz-me lembrar tanto a minha semana passada…” - e, de repente, és tu quem está a ouvir. Para essa pessoa, isto não é interromper, é “pegar no fio”. Para ti, é o fim do teu raciocínio.
Psicologicamente, por trás disto está muitas vezes uma forte necessidade de validação. A pessoa vive-se como o centro da história. Repara na tua narrativa, mas usa-a como uma rampa para entrar no próprio mundo. A conversa torna-se um palco, e tu, sem aviso, passas a figurante.
A técnica mais refinada: fazer perguntas para voltar a falar de si
Uma das estratégias mais eficazes de condução egocêntrica da conversa parece, à primeira vista, mesmo simpática: fazem perguntas. Muitas perguntas. “Como te sentiste com isso?”, “O que fizeste depois?”, “E como foi para ti?” Soa a interesse - e, no momento, também parece.
E, no entanto, o arco quase sempre volta para elas. As perguntas muitas vezes não são portas abertas, são bumerangues.
Um exemplo que terapeutas ouvem repetidamente: uma cliente descreve o encontro com uma amiga “muito empática”. Teria perguntado imenso, parecia tão disponível. Mas, no fim da noite, 80% do tempo foi sobre o trabalho dela, o stress dela, o filho dela. As perguntas serviam de trampolim.
Sequência típica: pergunta - resposta curta - “Pois, eu conheço isso, comigo é assim…” - e já vai outro monólogo. O outro sente-se ouvido, mas pouco visto. A conversa parece um espelho que mostra sempre a mesma cara.
Aqui entra uma verdade clara, que pode doer: sejamos honestos - quem fala assim, muitas vezes nem se apercebe. Muitos destes padrões egocêntricos acontecem de forma inconsciente. São estratégias aprendidas para regular insegurança, sentir proximidade ou estabilizar o próprio ego.
Os psicólogos sublinham: nem toda a pessoa que fala muito de si é narcisista. O decisivo é se a curiosidade genuína se mantém. Se há espaço deixado - sem ser imediatamente preenchido. E se há atenção ao teu mundo interior - ou se a pessoa está apenas à espera de palavras-chave para retomar o “filme” dela.
Como reconhecer a dominância subtil - e proteger a tua própria conversa
Um marcador prático que muitos especialistas em comunicação usam: presta atenção ao “regresso” das perguntas. Quando alguém te pergunta algo, repara no que acontece a seguir. A pessoa fica contigo? Ou usa a tua resposta apenas como rampa?
Podes testar isso conscientemente da próxima vez ficando um pouco mais tempo na tua história. Sem te justificares, sem acelerares. Simplesmente mais duas frases do que dirias normalmente. Quem está realmente interessado fica contigo. Quem tem um padrão egocêntrico fica rapidamente inquieto - ou vira a conversa, de forma visível, de volta para si.
Se percebes que estás constantemente a ser tirado do teu próprio fio narrativo, podes dar um passo atrás por dentro. Sem drama, sem acusação. Apenas um “ah, ok”.
Um erro frequente: culpamo-nos a nós próprios. “Se calhar falo demasiado”, “Os meus temas não são importantes”, “Ela é que viveu mais coisas”. Estas frases são veneno para uma autoestima saudável. Muito mais útil é a pergunta: “Como me sinto depois das nossas conversas - vazio ou ligado?” É uma bússola surpreendentemente honesta.
“A condução egocêntrica da conversa raramente é barulhenta. É silenciosa, charmosa - e, mesmo assim, tira-te espaço”, diz uma psicóloga que trabalha há anos com conflitos relacionais.
- Observa a tua quota de tempo de fala
Se, depois de um encontro, tens a sensação de que sobretudo ouviste, sem realmente “apareceres”, isso é um sinal de alerta. - Nomeia suavemente a tua necessidade
Uma frase como “Gostava de acabar a minha história” pode ser suficiente para recuperar o foco. - Permite-te distância interior
Não tens de “salvar” todos os diálogos subtilmente dominantes. Por vezes, o passo mais importante é deslocares-te, por dentro, meio metro para o lado.
O que fica quando já viste os padrões
Quem reconhece estas técnicas uma vez, passa a ouvir conversas de outra forma. Percebes quantas vezes o interesse aparente é apenas uma curva elegante de regresso à própria pessoa. Quantas frases do tipo “Conheço isso tão bem” dizem mais sobre quem fala do que sobre ti. E como tu próprio, por vezes, escorregas para estes padrões sem querer.
O interessante: assim que reparas, o teu papel muda. Podes decidir se entras no jogo ou não. Se deixas a tua história ser cortada - ou se ficas no tema, com simpatia, mas com clareza.
Talvez notes também como é libertador ter pessoas à tua volta que aguentam que fales mais de 30 segundos. Que não respondem logo com “Comigo foi…” mas perguntam mais, sentem contigo, deixam espaço. Essas conversas ficam. Não sais vazio - sais preenchido.
E sim, às vezes isso leva a consequências desconfortáveis: vês-te menos com quem transforma cada encontro num espetáculo a solo. Tornas-te mais seletivo com a tua atenção. Por fora pode parecer egoísmo. No essencial, é o contrário: é a tentativa de viver relações onde ambos têm lugar.
| Ideia-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| Dominância subtil em vez de interrupção aberta | Pessoas egocêntricas conduzem a conversa através de transições, perguntas e “gancho” temáticos, trazendo-a repetidamente para si. | O leitor reconhece formas silenciosas de apropriação da conversa que, de outra forma, passariam despercebidas. |
| O sentimento como bússola | A sensação que fica depois de uma conversa - vazio ou visto - é um indicador preciso de dinâmicas desequilibradas. | O leitor consegue avaliar rapidamente, sem termos técnicos, que contactos lhe fazem realmente bem. |
| Contraestratégias suaves | Frases curtas e claras como “Gostava de acabar isto” devolvem espaço sem escalar o confronto. | O leitor ganha formulações práticas para impor limites no dia a dia. |
FAQ:
- Como sei se alguém é egocêntrico ou apenas entusiasta?
Pessoas entusiastas conseguem parar, fazer perguntas e voltar a ti. Em pessoas muito egocêntricas, o foco mantém-se a longo prazo no mundo delas; os teus temas esbatem-se rapidamente.- Sou egocêntrico se falo muitas vezes de mim?
O decisivo é se deixas espaço real para os outros. Se escutas de forma consciente, aprofundas com perguntas e não estás apenas à espera da próxima palavra-chave, é mais provável que estejas num registo saudável.- Como falo com alguém sobre o seu comportamento dominante na conversa?
Ajuda usar uma frase na primeira pessoa: “Reparo que, nas nossas conversas, muitas vezes não consigo acabar de falar e depois sinto-me posto de lado.” Isto descreve a tua experiência sem julgar imediatamente o outro.- O que faço se a outra pessoa reagir sem abertura?
Então podes tirar as tuas conclusões: manter as conversas curtas, ficar por temas mais superficiais ou reduzir encontros. Nem todas as dinâmicas se conseguem mudar em conjunto.- Padrões egocêntricos de conversa podem mudar?
Sim, se a pessoa estiver disposta a olhar para isso. Muitos só dão conta dos seus padrões quando alguém os espelha com cuidado. Com reflexão - e, por vezes, com ajuda profissional - podem desenvolver-se diálogos muito mais equilibrados.
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