As salas de espera de muitas clínicas veterinárias enchem-se muito antes de o verão começar a sério.
O que à primeira vista parece uma tendência inofensiva está a preocupar seriamente os profissionais.
De várias regiões, veterinários relatam um aumento invulgar de casos semelhantes: cães que de repente vomitam, ficam apáticos ou desenvolvem diarreia intensa - muitas vezes apenas algumas horas após um passeio. Por detrás dos sintomas estão diferentes desencadeadores, mas os médicos deixam um aviso claro a todos os tutores: certas rotinas do dia a dia com o cão podem, neste momento, tornar-se perigosas muito rapidamente.
Porque é que os veterinários estão a dar o alerta agora
Em muitas clínicas nota-se um padrão: os cães afetados tinham estado pouco antes no parque, num lago balnear, na floresta ou junto a campos recentemente tratados. Alguns apanharam algo do chão durante o percurso; outros apenas cheiraram poças ou águas paradas.
Veterinários alertam para uma combinação de toxinas ambientais, riscos de calor e novos agentes patogénicos que, neste momento, é particularmente traiçoeira para os cães.
O problema: muitos perigos parecem inofensivos à primeira vista. Um pequeno gole de uma poça, um “petisco” aparentemente inofensivo na berma do caminho ou um mergulho na água podem ser suficientes para transformar um cão completamente saudável numa urgência.
Armadilhas perigosas do quotidiano durante o passeio
Risco de intoxicação por iscos envenenados e resíduos
Um tema recorrente nas clínicas veterinárias são as possíveis intoxicações. Para além de iscos envenenados colocados propositadamente, também contam resíduos de produtos fitofarmacêuticos e venenos para ratos. Particularmente arriscados: margens de campos, parques e zonas perto de caixotes do lixo.
- Pedaços de salsicha, almôndegas ou carne picada na berma do caminho
- Pão ou carcaças com grãos coloridos chamativos
- Restos de carne perto de parques de estacionamento ou contentores do lixo
Muitos tutores subestimam a rapidez com que um cão apanha algo do chão sem que se dê conta. Veterinários relatam que, muitas vezes, os cães “sacam” algo numa fração de segundo, enquanto o humano está com a atenção noutro lado - por exemplo, no telemóvel.
Uma grande parte das intoxicações graves pode ser evitada se os cães forem impedidos, de forma consistente, de apanhar comida no exterior.
Sinais de interrupção bem treinados e o hábito de comer exclusivamente da taça em casa podem reduzir significativamente o risco.
Águas paradas e agentes patogénicos escondidos
Outro foco dos alertas atuais são lagos, charcos e poças. Sobretudo nos meses mais quentes, bactérias e cianobactérias (algas azuis) multiplicam-se rapidamente. Para os cães, muitas vezes basta um gole ou lamber o pelo molhado depois do banho.
Veterinários referem repetidamente três fontes típicas de perigo:
- Cianobactérias em lagos balneares, que podem levar a insuficiência hepática
- Bactérias leptospiras em poças e valas, que atacam rins e fígado
- Parasitas e germes em águas poluídas, que desencadeiam diarreia e vómitos
Muitas cidades e municípios avisam ocasionalmente para a presença de cianobactérias, mas os tutores confiam demasiado em sinais visíveis como espuma ou alterações de cor. Os veterinários sublinham que a água pode estar contaminada mesmo quando parece clara.
Calor, asfalto e colapso circulatório
Para além de toxinas e germes, outro fator preocupa: o calor. O corpo dos cães lida pior com temperaturas elevadas do que o dos humanos, porque quase não transpiram. Regulam a temperatura sobretudo através do ofegar e das patas.
Bastam poucos minutos num carro sobreaquecido ou em asfalto escaldante para a vida de um cão ficar em risco.
Veterinários relatam um aumento de golpes de calor após trajetos curtos de carro, por exemplo numa paragem rápida em frente ao supermercado. Também se acumulam casos de queimaduras nas almofadas das patas durante passeios em zonas urbanas.
| Cenário | Risco possível |
|---|---|
| Passeio ao meio-dia em asfalto | Queimaduras nas almofadas, sobreaquecimento |
| Cão no carro ao sol, com a janela entreaberta | Golpe de calor em poucos minutos |
| Longa volta de bicicleta sem pausas | Colapso circulatório, sobrecarga das articulações |
Como regra prática, os veterinários aconselham: se o asfalto mal se consegue tocar com a mão durante mais do que alguns segundos, está demasiado quente para as patas do cão. Os passeios devem ser transferidos para o início da manhã ou para o final da tarde/noite.
Como os tutores podem reconhecer uma urgência iminente
O maior receio de muitos tutores é perceber demasiado tarde os sinais decisivos. Os veterinários salientam que certos sintomas são sempre críticos, sobretudo quando surgem de repente.
Sinais de alerta que exigem ajuda imediata
- Vómitos intensos e persistentes ou diarreia com sangue
- Apatia súbita, marcha cambaleante, colapso
- Respiração muito rápida, ofegar extremo sem esforço físico
- Barriga inchada, inquietação, tentativas infrutíferas de defecar ou urinar
- Gengivas pálidas ou azuladas
Ao mínimo indício de intoxicação ou golpe de calor, cada minuto conta - mais vale ir cedo demais à clínica do que tarde demais.
Em situações de emergência, os veterinários pedem aos tutores o máximo de informação possível: o que o cão comeu, por onde andou, que medicação toma, há quanto tempo existem os sintomas? Fotografias do possível isco envenenado ou do local podem ajudar a avaliar mais rapidamente a situação.
O que os tutores podem fazer, concretamente
Mais atenção no dia a dia
Muitos veterinários referem que pequenas mudanças de comportamento fazem uma grande diferença. Entre elas:
- Manter o telemóvel no bolso durante o passeio, de forma consistente
- Em locais críticos - por exemplo junto a caixotes do lixo, parques de estacionamento ou campos - manter o cão com trela curta
- Treinar regularmente para que o cão não coma nada do chão
- Antes de banhos, verificar a qualidade da água e respeitar avisos
Quem tiver dúvidas pode falar com a sua clínica veterinária sobre que vacinas e medidas preventivas fazem sentido, atualmente, para a sua região - por exemplo contra a leptospirose ou certos parasitas.
Um pequeno kit de emergência para cada cão
Muitas clínicas recomendam um kit simples de emergência. Não substitui a ida ao veterinário, mas dá tempo e ajuda a manter a situação sob controlo.
- Número de telefone e morada do hospital veterinário mais próximo
- Toalhas limpas e uma manta para transporte
- Laço/focinheira de emergência ou contenção improvisada (por exemplo, ligadura, pano), porque cães feridos podem morder por dor
- Lista de medicação atual e doenças pré-existentes conhecidas
Os veterinários desaconselham vivamente remédios caseiros e medicamentos de uso humano por iniciativa própria. Muitos fármacos bem tolerados por pessoas são tóxicos para cães.
Porque é que o aviso diz respeito a todos os tutores de cães
A situação atual mostra até que ponto o quotidiano dos cães depende de fatores externos. Alterações climáticas, agricultura mais intensiva, tráfego mais denso e maior pressão recreativa sobre florestas e lagos estão a mudar o ambiente dos animais. Os riscos não surgem apenas para cães doentes ou idosos, mas para todos os patudos.
Seja num apartamento na cidade ou numa quinta: cada cão depende da atenção e das decisões do seu humano.
Quem conhece os perigos típicos e presta atenção aos sinais de alerta pode evitar muitas urgências. Ao mesmo tempo, cresce a consciência de que prevenção é mais do que vacinas anuais. Trata-se de criar uma espécie de cultura de segurança no dia a dia com o cão.
Olhando em frente: o que deverá mudar para os tutores
Muitos veterinários partem do princípio de que ondas de calor e novos agentes patogénicos serão mais frequentes no futuro. Com isso, aumenta a importância da prevenção. As escolas de treino canino já integram mais exercícios para os cães aprenderem a deixar comida no chão a comando. Os municípios passam a assinalar melhor as zonas balneares ou a encerrá-las temporariamente.
Um cenário plausível: a longo prazo, os passeios deslocam-se mais para as horas mais frescas do dia. Dias de muito calor passam a ser um fator fixo no planeamento de saídas, tal como avisos de mau tempo. Apps que mostrem cianobactérias, pólen ou atividade de carraças podem tornar-se parte integrante do quotidiano com o cão.
Quem se adapta a estas mudanças não protege apenas o seu patudo. Também contribui para aliviar as clínicas veterinárias e para que, em caso de emergência, haja mais tempo para verdadeiras urgências. Os riscos não se eliminam por completo, mas podem ser reduzidos de forma significativa - passo a passo, em cada saída de casa.
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